terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Sim, voltei... :)


Engraçado como o tempo muda, como os ponteiros do relógio não param, mas como conseguimos parar por momentos para pensar; para nos recordarmos do que fomos, do que vivemos, do que somos e do que seremos.

Hoje sou feliz, porque não retiro um unico pulsar no ponteiro do tempo que passou.

Nem tudo foi um mar de rosas, mas sim, existem momentos que mudam as nossas vidas para sempre.

È muito fácil tomar decisões na nossa vida, nunca sabemos até que ponto as decisões que tomamos são as certas, mas existe sempre algo que é impossível não saber.

Todos nós temos sonhos e vontades, retidas algures no limiar do pensamento, uns chamam-lhe sonhos, outros tratam-nos por objectivos, mas embora reais na nossa vontade, tornam-se muitas vezes poeira de sonho perdida algures...

Acredito que os sonhos me movem...e mais, acredito que os posso tornar realidade, porque se assim não fosse, hoje não estaria aqui a escrever estas palavras.

Ao tomarmos uma decisão com base num sonho que sonhámos, estamos a concretizar a certeza.

Sorte para quem não tem medo e se arrisca a viver com base numa simples palavra “Imprevisibilidade”.

É aí que se encontra o sonho sonhado, é aí que se distingue o que é certo ou errado, o que faz ou não sentido.

É aí também, que encontramos a verdadeira razão da nossa existência; a isto chamo-lhe fé.

Fui educado na fé de um Deus junto da igreja católica.

Fiz toda a minha caminhada na catequese, e sempre senti que algo não fazia sentido.

Para quê rezar pelos que morrem á fome, esperando que Deus encarne em alguém e os salve, se nós sociedade não nos mexemos para que isso aconteça?

Para quê rezar pelos pobres e oprimidos, quando nós sociedade oprimimos os outros?

Cedo percebi que não há lei a seguir, imposta por quem quer que seja.

E então partí.

Fui ao encontro da fé, mas não de uma fé que se basea-se num conjunto de regras...mas na liberdade de alguem que procura algo que sente que existe, mas que não encontra ao se redor.

Percorri muitos milhares de Kms, encontrei um sitio incrível, perdido por entre prados verdejantes, uma pequena aldeia onde se ouvem multiplos dialectos diferentes, tão diferentes do nosso.

Foi aí que se deu o abanão.

Nesta aldeia vivem algumas dezenas de homens, que se dedicam á fé.

Não têm religião concrecta, todos eles “descendem” de vários tipos tradicionais de fé.

Acreditam na existência de Deus, e como tal, criaram uma comunidade que se dedica a viver a vida na sua forma mais bela e pura.

Vivem do seu trabalho, e a sua ocupação é acolherem todos aqueles que procuram algo que não encontram.

E lá estava eu envolto numa espiral de dificil descrição.

É tão fácil conhecer pessoas e travar amizades em tão curto espaço de tempo.

É tão fácil nos apercebermos, que a amizade não tem barreiras, independentemente da distância física que se coloca entre nós ou a simples difernça de lingua ou cultura.

Neste local, somos tentados a escutar-nos a nós mesmos. Algo que nunca experimentei em mais lado nenhum.

Sim, resulta.

No mais profundo dos silêncios, existe uma voz que não cessa e que não se cansa, esperando pacientemente por ser audivel.

E lá voltei, uma e outra vez, e outras que se seguiram; numas vezes sozinho, noutras com amigos ou pessoas que se juntaram.

De todas as vezes, senti algo de indescritivel.

Algo que a meu ver deveria poder ser vivido por todas as pessoas do mundo.

É nestes momentos que me sinto priveligiado.

É também nestes momentos que sinto algo que não sentia antes.

Um tipo bem diferente de responsabilidade; sinto que me deram um lápis e uma tela, e me pdem para desenhar o mundo.

Nunca tive muito jeito para o desenho, confesso...

Mas tenho jeito para sonhar, e agora, sinto que chegou o momento; medo? Não, não sinto medo...sinto antes uma alegria imensa por saber que conto com todos aqueles, que mesmo não tendo o jeito necessário para desenhar, têm algo que os destingue dos demais. Têm-se a si e aos seus sonhos.

Algo próprio...algo singular...algo único.

Obrigado